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Grupo de estudos debate ciência, educação e práticas discriminatórias

Publicado: Quinta, 08 de Outubro de 2026, 09h17 | Última atualização em Quinta, 08 de Outubro de 2026, 09h26

Eugenia: Campus Muzambinho inaugura grupo de estudos sobre ciência, educação e práticas discriminatórias

As relações entre ciência, educação e práticas discriminatórias são o foco do novo grupo de estudos do Campus Muzambinho. Coordenada e liderada pelo professor Guilherme Prado Roitberg, a iniciativa conta com a colaboração de pesquisadores de instituições estrangeiras, tendo como vice-líder a professora Melline Ortega Faggion (Universidad Nacional de La Plata, Argentina), e prevê estudos sobre eugenia e educação, além de trazer oportunidades de iniciação científica para a comunidade, especialmente para os estudantes de licenciaturas.

A eugenia foi um movimento social e científico que, na primeira metade do século XX, buscou promover o suposto aperfeiçoamento da população por meio do controle da reprodução e da seleção de características hereditárias consideradas desejáveis. No Brasil, esse ideário influenciou debates sobre saúde pública, educação, direito e imigração e atingiu especialmente populações negras, indígenas, pessoas com deficiência e trabalhadores pobres.

Embora tenha sido publicamente condenada após a divulgação dos crimes cometidos pelo regime nazista durante o Holocausto, pesquisas apontam que elementos desse pensamento permanecem em discursos baseados no determinismo biológico, na hierarquização e na exclusão de grupos humanos.

“Compreender a permanência e a ressignificação da eugenia torna-se fundamental para identificar e enfrentar mecanismos de discriminação que produzem desigualdades e reforçam a exclusão”, afirma Guilherme.

Eugenia e formação de professores

Segundo o docente, o campo educacional também participou historicamente da produção e circulação de ideias eugenistas. O estudo crítico desse processo pode ajudar futuros professores a reconhecer relações entre ciência, racismo, capacitismo e outras formas de discriminação.

O assunto pode ser abordado em disciplinas como História e Filosofia da Ciência, História da Educação, Sociologia da Educação, Ética e Bioética, Educação Inclusiva, Relações Étnico-Raciais e Diversidade e Educação.

“Durante muitos anos, o tema da eugenia foi negligenciado na formação de professores. Atualmente, esse cenário tem se modificado, mas o tema ainda demanda maior visibilidade e uma abordagem mais sistemática na formação inicial”, explica.

Guilherme é formado em História e Pedagogia, possui mestrado e doutorado em Educação e pós-doutorado em História das Ciências. Seu interesse pelo tema começou durante o mestrado, quando participou de um grupo de estudos sobre Filosofia da Educação e Filosofia da Ciência e publicou seus primeiros trabalhos sobre eugenia e educação na Alemanha nazista.

Entre as iniciativas de divulgação científica citadas pelo professor está o Acervo Brasileiro de Referências sobre Eugenia (ABREU), projeto de extensão que reúne artigos, livros, entrevistas, podcasts e páginas eletrônicas sobre o tema.

Participação no grupo de estudos

O GECEPD foi aprovado pelo NIPE e já se encontra em funcionamento. O grupo é aberto aos estudantes regularmente matriculados nos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas, Educação Física e Pedagogia. As reuniões ocorrem mensalmente, pelo Google Meet. Interessados em participar podem entrar em contato por email ( guilherme.roitberg@muz.ifsuldeminas.edu.br) ou pelo perfil do GECEPD no Instagram (@gecepd.if).

Mais informações e referências sobre a eugenia podem ser conferidas no site do ABREU através do link: https://sites.google.com/muz.ifsuldeminas.edu.br/abreu .

Texto e Fotos: ASCOM do Campus Muzambinho
Informações: Guilherme P. Roitberg

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